segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Relato de parto do Pai



Comentei aqui sobre a Rosana Oshiro que teve seu parto natural em casa e dessasistido.
Divulguei que ela estava transmitindo ao vivo seu trabalho de parto e sua Clara nasceu.
Tudo muito lindo!
Lindo também é o relato do pai Cleber.

Confiram:
http://clebermassao.blogspot.com/2011/02/uma-historia-de-amor.html?showComment=1298918497254#c1316230415685589635

Mostrem aos seus maridos.
Bjs

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Entrevista da Gisele Bundchen sobre seu parto natural


 "Eu já era fã dela porque acho-a linda e única! ;) Apaixonei depois que vi essa entrevista dela sobre seu parto natural domiciliar.
Divulguem!!


Blogagem Coletiva - Pelo Empoderamento Feminino no parto

Olá a todas
Rosana Oshiro lançou uma campanha para a dismistificação do parto natural através de seu blog:
Empoderamento: Porque o parto é seu e de mais nínguém!
O post que quero colocar para a blogagem coletiva é meu relato de parto.
Meu parto foi em casa com a assistencia de duas maravilhosas parteiras.
Bota empoderamento nessa história viu.
Antes e principalmente depois.
Já fazem 2 anos e 7 meses e ainda estou elaborando.
Participem!

Link para meu relato de parto:
http://fotolog.terra.com.br/caueraoni:16

Grande beijo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chupeta X Dedo X Peito

Este é um assunto sempre polêmico, achei ótimo o texto.
Eu dei chupeta para o CAuê logo no primweiro mês, não era minha ointenção mas meu peito machucou tanto logo nos primeiros dias e pelo Cauê ele fica por horas no peito, ele chorava muito e acabei cedendo, procurava controlar e não deixarele de chupeta o tempo todo, atrapalhou um pouco na amamentação mas foi recuperado.
Ele largou a chupeta sózinho, naturalmente aos 9 meses, o que achei maravilhoso.
Eu acho melhor não ser radical para nada, usamos a chupeta com moderação, não foi a situação perfeitas pra mim mas ajudou.
Déborah Gérbera

Por Andréia Stankiewicz, dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares
Tudo o que acontece desde o útero, no momento do parto, nos primeiros anos de vida e também na infância, são determinantes na formação dos indivíduos. Por isso, estímulos fisiológicos nesse período são tão importantes para o desenvolvimento do bebê. E nossas escolhas, fundamentais (!) já que repercutirão diretamente sobre a vida de um novo ser.
Vou tentar explicar um pouco da diferença peito x dedo x chupeta, através de uma espécie de "parecer técnico", embasada nas evidências da Ortopedia Funcional dos Maxilares, ok?
1. Dedo é natural; chupeta, não!
Chupar o dedo faz parte do processo de desenvolvimento do bebê. Muitos já o fazem desde o útero! É uma exploração inerente à fase oral (que vai até em torno de 1 ano e meio a 2 anos de vida). Com o tempo e a presença de outros estímulos (peito, alimentos, brinquedos, mordedores, engatinhar, andar, falar, etc...) o dedo vai sendo esquecido. Isso é o normal, não há motivos para preocupações! Tem fases que o bebê pode querer chupar mais mesmo, até a mão inteira, como, por exemplo, quando os dentinhos estão para nascer, pois a gengiva coça, dói, irrita. Mas passa!
Já a chupeta é imposta pelos pais e não faz parte do desenvolvimento natural, tanto é que a maioria dos bebês demora a aceitar a dita cuja.
A sucção feita com a chupeta é bem diferente da sucção normal feita no peito, pois os músculos são utilizados de forma diferente (ou seja, chupeta é uma academia de ginástica anti-natural). Vou colocar abaixo uma tabelinha dos músculos que funcionam no peito e na chupeta com bico ortodôntico, pra vocês terem uma idéia do quanto é diferente:
Amamentação Bico ortodôntico
Bucinador (bochecha) + (normal) +++++ (hipertônico)
Língua +++++ (normal, anteriorizada e dorso baixo) + (muito hipotônica, posteriorizada e dorso elevado)
Lábio superior ++++ (normal) + (hipofuncional)
Lábio inferior ++ (normal) + (hipotônico)
2. O dedo é mais anatômico do que a chupeta.
Tomando como padrão ouro de sucção infantil a amamentação, observa-se que ao sugar o dedo, este fica numa posição mais parecida dentro da boca com o bico do peito da mãe. Ele vai até o limite entre o palato duro e o palato mole, estimulando nesta região o desenvolvimento de um ponto neural chamado de "ponto de náusea" (aquele que "dispara" a ânsia de vômito). A língua também fica numa posição mais parecida com a da amamentação (mais anteriorizada). Já a chupeta não tem uma proctratibilidade tal qual o peito, e seu bico ou termina no meio da boca (no caso das chupetas normais) ou logo na entrada da cavidade oral (no caso das ortodônticas), atrás da região dos incisivos superiores; estimulando erroneamente aí a formação daquele ponto neural. Com a chupeta, a língua é "empurrada para trás" (na garganta), ficando numa posição mais posteriorizada, com a ponta baixa e o dorso elevado, ao contrário do que seria o normal. Tanto o dedo é mais fisiológico e anatômico, que não atrapalha a amamentação, enquanto que a introdução de bicos artificiais pode sim atrapalhar (a chamada "confusão de bicos") ou ainda comprometer o ganho de peso, pois o bebê tende a solicitar menos o peito.
3. Hábitos de sucção não-nutritivos persistentes causam estragos!
Não importa se for o dedo, a chupeta, o lábio, a língua, o braço, um brinquedo, paninho, seja lá o que for... Os estragos são semelhantes: palato profundo e atrésico, queixo pequeno e retro-posicionado, base do nariz estreita, cantinho do olho “caído”, olheiras persistentes, perda do vedamento dos lábios, boca aberta, respiração bucal, língua baixa e flácida, alterações na rota de crescimento dos ossos da face, dentes tortos e mordida errada, falta de espaço, dificuldades para respirar, mastigar, engolir, falar, distúrbios do sono - ronco, apnéia, bruxismo, terror noturno... - problemas posturais da coluna (lordose, escoliose, “pé chato”), patologias respiratórias de repetição -rinite, bronquite/asma, sinusite, amigdalite, otite, gripes/resfriados frequentes -, etc. etc. etc.
Daí vem o medo da maioria dos pais e profissionais quanto ao dedo, justificando que a chupeta é mais fácil de tirar. O que é um erro!
A grande maioria dos bebês vai deixar de chupar o dedo naturalmente (como já foi explicado), até o final da fase oral se receber estímulos positivos: amamentação com boa-pega, em livre demanda, mamando até ficar satisfeito, exclusiva até pelo menos os 6 meses, desmame gradual e preferencialmente prolongando a amamentação nos primeiros anos de vida da criança (até 2 anos ou +); uma introdução de alimentos bacana, tanto na qualidade como na consistência; ter liberdade para explorar o ambiente, brincar, colocar coisas na boca...enfim, se o desenvolvimento estiver normal, é uma fase e passa! Caso isto não ocorra, é necessário avaliar o que aconteceu e intervir para que as coisas voltem ao seu curso natural. Profissionais de várias áreas podem ajudar (dentista, fono, psicólogo, pediatra...). Existe uma técnica chamada de Mamilo, utilizada por alguns dentistas ortopedistas capacitados, que é super legal e eficaz na remoção de qualquer hábito oral que se prolongue além do normal; e que atua não contra o hábito, mas a favor da biologia e da fisiologia da criança, consertando os estragos que houverem e ao mesmo tempo esgotando a necessidade neural de sucção que tenha ficado.
A chupeta um dia será tirada pelos pais e, se a criança ainda não tiver esgotado essa necessidade neural até então, muito provavelmente substituirá por outro hábito (roer unha, arrancar "pelinha" do dedo, morder lápis/caneta...). No caso da chupeta, não é uma fase que passa, ela é dada pra depois ser "arbitrariamente" tirada (quando achamos que está "na hora"). E não existe uso racional, como muitos profissionais preconizam. Afinal, os pais não têm como saber a medida certa do quanto o bebê precisa sugar para se satisfazer, enquanto que o dedo, o bebê auto-gerencia (! rsrsrs).
Ah, outra coisa: muitos dentistas falam que é só tirar a chupeta que o dentinho torto volta pro lugar. É verdade, mas o osso todo que "entortou" não volta! E no futuro faltará espaço para os dentes permanentes, além de outros problemas morfo-funcionais bem complicados.
4. Não é tudo culpa da genética!
Colocar a culpa dos dentes tortos e ossos mal-formados apenas na genética não reflete a realidade. Os fatores ambientais são fundamentais na manifestação de certas características. E por isso, as escolhas que fazemos pelos nossos filhos são tão importantes, inclusive a de oferecer ou não uma chupeta! Claro que existem biotipos mais suscetíveis aos hábitos e outros mais resistentes. Entretanto, se considerarmos que a função determina a forma, e a chupeta prejudica a função...isto quer dizer que a chupeta DEFORMA! (mais que o dedo que prejudica menos as funções). Vou tentar explicar melhor: vamos supor (uma estória, bem trágica, tá certo?) dois irmãos gêmeos: um deles caiu do berço quando era bebê e ficou paraplégico (toc, toc, toc, bate na madeira 3x! rsrsrs). Vocês concordam que, apesar da genética idêntica, o desenvolvimento entre os dois irmãos será bem diferente? Um terá as pernas atrofiadas e o outro não. Na boca acontece a mesma coisa! Ela atrofia por falta de uso, ou melhor, por funcionar errado, pela presença de estímulos neuro-motores patológicos que influenciarão diretamente o crescimento. A chupeta é um destes estímulos (junto com falta de amamentação ou o desmame precoce, uso de mamadeira ou copos de transição, respiração bucal, dieta macia e de má-qualidade, etc). Vocês sabiam que 80% do crescimento mandibular ocorre até os 6 anos de vida? E já repararam como a face e a boca do bebê crescem rapidamente no primeiro, segundo anos? Por isso que estímulos ruins neste período são tão "catastróficos", digamos assim.
5. Todo mundo conhece alguém que chupou chupeta e tem dentes ótimos ou que ficou até com o dedo torto de tanto que chupou o dedo... Bem, tudo é relativo. Infelizmente, são poucos os profissionais que sabem detectar precocemente uma mal-oclusão (isto é, antes dos 6-7 anos; lá por 2, 3 anos ou até menos). Muitas vezes os sinais são sutis e incipientes (os dentes até parecem normais), e passam despercebidos pela maioria dos pais e profissionais de saúde. Dificilmente uma criança "escapa ilesa" de um hábito de chupeta. O que pode acontecer são alguns raros casos de biotipos mais favoráveis nos quais os danos são menores. Por outro lado, é uma porcentagem muito pequena de crianças que "viciam" no dedo, e hoje existem formas eficazes e tranquilas de remover o hábito bem precocemente (lá por volta dos 2 anos), sem traumas. E a amamentação é a principal forma de prevenção!
Ou seja, acho que deu pra entender a mensagem: o dedo é menos pior!!! Pode deixar o bebê chupar. É válido usar alguns recursos quando a criança está chupando o dedo como oferecer o peito, distrair a criança com alguma outra coisa, brincar, cantar, desviar a atenção...reforço negativo ( do tipo "tira o dedo da boca", "é feio", "é sujo", "ai, que nojo"...) não é produtivo e pode servir até como forma da criança chamar a atenção dos pais. Nossa ansiedade com o dedo também pode ser percebida pela criança, estimulando ainda + o hábito. Agora, dar chupeta não é legal!


Pode até parecer radicalismo, mas quem se dispõe a estudar a fundo como as chupetas funcionam, e lida profissionalmente (ou pessoalmente) no dia-a-dia com seus efeitos, não consegue defendê-las...nem um pouquinho!
Ah, mamadeiras, idem! Mas aí, já é outra estória...
Boas escolhas (agora um pouco + informadas)
Andréia (dentista odontopediatra e ortopedista dos maxilares), casada com o Fag (dentista professor de pós-graduação, homeopata, ortodontista e ortopedista funcional dos maxilares) e mãe da Luiza (8m, só de peito e papinha, sem chupeta, que gosta de chupar o dedinho de vez em quando)."
http://www.odontoesp.com.br/
http://www.neom-rb.com.br/
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:CARVALHO, G. D. S.O.S. Respirador Bucal – Uma Visão Funcional e Clínica da Amamentação. Ed. Lovise, 2ª. ed., 2010.
PLANAS, P. Reabilitação Neuro-Oclusal. Medsi, 1988.
SIMÕES, W. A. Ortopedia Funcional dos Maxilares – Através da Reabilitação Neuro-Oclusal. Artes Médicas, 3ª. ed. 2003.
SILVA, H. G. Ortopedia Funcional e Mecânica dos Maxilares. Ed. Santos, 2009.
ENLOW, D. H.; HANS, M. G. Noções Básicas de Crescimento Facial. 1ª. Ed. Ed. Santos. 1998.
SANTOS, D. C. L. Estudo da Prevalência da Respiração Predominantemente Bucal e Possíveis Implicações com o Aleitamento Materno em Escolares de São Caetano do Sul – SP – Brasil. Campinas, SP: [s.n.], 2004.
TRAWITZKI, L. V. V., et al. Aleitamento e hábitos orais deletérios em respiradores orais e nasais. Rev. Bras. Otorrinolaringol., v. 71, n. 6, São Paulo, nov/dez 2005.
Souza, D. F. R. K.; et al. Relação Clínica Entre Hábitos De Sucção, Má-Oclusão, Aleitamento E Grau De Informação Prévio Das Mães. R. Dental Press Ortodon Ortop Facial. Maringá, v. 11; n. 6, p. 81-90, nov/dez 2006.
Recomendações da Organização Mundial de Saúde
Fonte: www.slingando.com

Por Roberta da Fonte via Rosana Oshiro - Facebook

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Parto normal aumenta sensibilidade da mãe ao choro do bebê, diz estudo

Parto normal favorece

 elo natural entre mãe e bebê

 (Foto: Reprodução)

Pesquisa foi feita medindo ativação de áreas 'maternais' do cérebro.


Trabalho tem implicações para entender e até prever depressão pós-parto.
Reinaldo José Lopes

Do G1, em São Paulo

Uma pesquisa publicada na revista científica "The Journal of Child Psychology" sugere que pode haver um elo mais poderoso entre mãe que tiveram filhos por parto normal e seus bebês do que aquele que existe entre mães e seus filhos nascidos por cesariana. Segundo os pesquisadores, a primeira categoria de mães é mais sensível ao choro de seu próprio filho, a julgar pelo padrão de ativação cerebral materno, medido com a ajuda de ressonância magnética de duas a quatro semanas depois do parto.


Para ser mais exato, a resposta aumentada das mães de parto normal aparece em regiões do cérebro ligadas à regulação de emoções, motivação e comportamentos habituais. A conclusão faz algum sentido diante do aparente elo que existe entre o parto por cesariana e um risco aumentado de depressão pós-parto, verificado em mulheres, e também do cuidado diminuído com a cria presente em animais cujos filhotes não nascem por via vaginal.

Os conhecimentos atuais sobre o parto normal também indicam que ele ajuda a desenvolver os circuitos cerebrais ligados ao apego pelos recém-nascidos. Exemplo disso é a liberação periódica de oxitocina, o famoso "hormônio da confiança" (ou "hormônio do apego") durante o nascimento natural.
Menos ativas
"Queríamos saber quais áreas do cérebro ficariam menos ativas em mães que têm seus filhos por cesariana", diz James Swain, pesquisador do Centro de Estudos da Infância da Universidade Yale (EUA). "Nossos resultados apóiam a teoria de que variações nas condições de nascimento que alteram as experiências neurohormonais do parto podem diminuir a sensibilidade do cérebro materno humano no começo da fase pós-parto."
Outro detalhe importante: as mesmas áreas ligadas ao esforço do nascimento também influenciam o estado emocional da mãe. "Conforme mais e mais mães optam por ter filhos mais velhas, tendo, portanto, mais chances de passar por uma cesariana, esses resultados vão se tornando importantes. Podem, por exemplo, ajudar a identificar precocemente o risco de depressão pós-parto e atacar o problema", afirma Swain.

Pesquisa mostra que marcar o parto aumenta os riscos para a mãe

Nos EUA, prática aumentou o número de partos cesarianos.

Pacientes perdem mais sangue e passam mais tempo no hospital.

Do G1, em São Paulo
imprimir Cientistas da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, divulgaram uma pesquisa dizendo que marcar data para o parto pode ter consequências negativas para as mães. Os números publicados pelo “Journal of Reproductive Medicine” mostram que elas perdem mais sangue e passam mais tempo no hospital que nos partos naturais.
Os benefícios de um procedimento cirúrgico devem sempre superar os riscos"Christopher Glantz, autor da pesquisaO estudo acompanhou 485 mães que deram a luz do primeiro filho no centro médico da Universidade de Rochester em 2007. Por isto, os dados dizem respeito apenas ao primeiro parto de uma mulher e não devem ser levados em consideração caso a mãe já tenha filhos. Contudo, é uma análise confiável, já que os pesquisadores analisaram também as fichas médicas ao elaborar as estatísticas.
Aproximadamente 34% das mulheres que optaram pela indução tiveram parto cesariano. Dentre as que tiveram um trabalho natural de parto, apenas 20% precisaram dessa cirurgia. Os pesquisadores ressaltam que, embora seja muitas vezes vista como uma cirurgia simples, a cesárea aumenta os riscos de infecções e complicações respiratórias, além do tempo de recuperação.
“Os benefícios de um procedimento cirúrgico devem sempre superar os riscos. Se não há benefícios médicos para induzir o trabalho de parto, é difícil justificar a escolha por fazê-lo, uma vez que sabemos que aumenta os riscos para a mãe e o bebê”, afirmou Christopher Glantz, autor da pesquisa.

Dentre os motivos pelos quais o parto induzido tem ganhado adeptos, os cientistas listaram a conveniência de marcar o horário e a certeza de dar a luz com o médico que acompanhou a gestação.
“Como trabalhadora e mãe, sei o quanto pode ser tentador marcar um parto para pôr a vida em ordem, mas há motivo para os bebês ficarem no útero todo o tempo necessário”, disse Loralei Thornburg, professora da mesma universidade, especializada em medicina maternal e fetal.

Por Roberta da Fonte via Facebook 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pós parto: 42 km

Meu pós parto foi bem dificil, não por nenhuma complicação não.
Fisicamente estava tudo ótimo, difícil foi a adaptação a vida nova, a rotina do cuidar de um bebezinho e tudo que essa vida exige, a dificuldade para meu bebê dormir, toda a mudança, problemas com amamentação, a nova relação com o tempo, a relação com o marido, falta de ajuda, a mudança do corpo e a ausência do eu.
Esperava por me adaptar, esperava que as coisas melhorassem, ou seja, que meu bebê dormisse mais e melhor, que a amamentação desse certo, que eu tivesse algum tempo para comer, tomar banho, usar o banheiro, dormir um pouco mais, descansar pelo dia, ler um pouco, usar a internet, me distrair saindo, passeando, conseguisse cuidar um pouco de mim.
É até engraçado essa lista de coisas que esperava poder fazer, está claro que é um monte de coisas e que de fato não seria possível tanto que não foi mesmo.
A amamentação foi um longo caminho, o sono do bebê maior ainda, a dificuldade era a mesma e até piorou consideravelmente aos 6 meses, tempo pra mim até para as necessidades básicas continuou escasso por meses.
Sofri demais pelo cansaço, a falta de sono e de descanso, foi devastador, era difícil para cuidar do bebê, não tinha memória, era lenta, deixei a comida queimar algumas vezes, perdi panelas, engordei muito pois sem tempo pra fazer comida e poder comer, comia muito pão que é bem prático e doces que dava aquele conforto, era como sair pra balada.
Saia com meu filho pra me distrair e pra ele também.
Mas meu cansaço era tanto que acabava não servindo muito.
Sentia que estava trabalhando 24 horas por dia e estava mesmo, sem noite ou fim de semana pra descansar, nem um pouquinho.
Meu filho exigia que ficássemos andando e balançando ele ou ele chorava, isso era constante, ele não ficava no carrinho, em sua cadeirinha, berço, só no colo.
Dormir só a meia noite, meia hora depois acordava.
Começava o dia às 6h e muitas vezes antes ainda, da meia noite às 6h acordava 6x!
Ele dormia pouco e mal, pelo dia a mesma coisa, ficava agitado, com olheiras e choroso.
Eu completamente exausta o tempo todo.
Cheguei ao meu limite por várias vezes mas por falta de opção total recomeçava.

Quando o Cauê estava com 2 anos e 4 meses, as coisas estavam melhores, dormia mais e melhor, estava mais idenpendente, eu conseguia fazer comida e cuidar da casa, passeava mais, tinha mais tempo para mim, consegui desenvolver alguns trabalhos com blogs e o Tarot.
Ao mesmo tempo estava com a sensação de quando acabava de correr uma maratona e é comum usar esse termo para o cuidado de casa e filho, não é?
Não entendia porque estava com essa sensação de cansada, beeeem cansada, com o corpo dolorido, tentando recuperar o fôlego e ao mesmo tempo extremamente satisfeita e feliz por ter completado os 42 km de corrida.
Numa maratona passamos por vários momentos, a empolgação do inicio, dor no corpo, às vezes a dor é forte, muito cansaço, medo, desanimo, vontade de desistir, depois um grande pique, muita energia, grande força, retomo a velocidade e foco no objetivo de fazer a melhor corrida e chegar bem.
Então cheguei a um pensamento: meu pós parto acabou, aos 42 Km, ou seja, aos 2 anos e 4 meses do Cauê, se inverter a idade dele fica 4 e 2.
Minha sensação era de missão cumprida, a missão do começo, da adaptação, da primeira infância.
Estava cansada mas já me recuperando e apesar das muitas dificuldades feliz e plenamente satisfeita e até pensando na próxima jornada, na próxima corrida, no próximo bebê!